Amigos:
A chegada do Papa Bento 16 ao Brasil nesta quarta-feita detonou intensa cobertura midiática. De todo o material publicado, talvez o de maior relevância seja o da edição dominical da Folha de São Paulo, que divulgou extensa pesquisa que releva em detalhes o perfil do católico praticante e do evangélico brasileiro. Sim, como somos reconhecidos como antagonistas da guerra contra o catolicismo, o jornal quis saber o que pensa esse povo que chega a 18%, segundo censo do IBGE.
Existem dados a serem comemorados. O levantamento mostra: 99% dos crentes brasileiros vão com freqüência à igreja. Um sinal de que não somos um povo virtual presente apenas nas estatísticas de senso e nos cultos de natal e ano novo. Utilizamos o domingo como algo sagrado e entendemos que a igreja é local para presenciarmos a glória de Deus em nossas vidas. Bom sinal.
Na defesa do dizimo
Quando o assunto é dizimo e contribuições a igreja, o sinal de fidelidade é inquestionável: na média, 88% dos crentes entrevistados, sejam tradicionais ou pentecostais, não pensam duas vezes e colaboram com a manutenção do reino. É uma vitória e tanto. Tal índice é obtido debaixo de críticas ferrenhas oriundas da mídia secular em relação ao assunto e até de condutas que geram mais nebulosidade do que transparência nas igrejas. Mesmo assim, a fé supera a falha dos homens. Perfeito.
Outro dado surpreendente da pesquisa do Datafolha é na questão dos relacionamentos. Mais de 82% dos pesquisados sequer pensam na hipótese de se casar com alguém que não seja de uma igreja evangélica. Em tempos de desencontros, solidão e ausência de diálogo entre jovens e pastores das igrejas em relação ao assunto, é revigorante sentir que a esperança supera tais entraves. Às pessoas que antes me consideravam pessimista ou que vejo só um lado da questão faço apenas um questionamento: a explosão de divórcio e separações na igreja é algo normal? Se mesmo com tal furação, ainda cremos que alguém sentado ao nosso lado será o passaporte da nossa felicidade é de se tirar o chapéu.
Bem, mas nem tudo são flores.
Os problemas
A pesquisa mostra, na minha visão, dois dados estarrecedores. Números que revelam o nosso estágio de conflito em relação as ações de Deus e a estrutura deixada por Ele na Terra e cujo nosso dever é cuidar com esmero. A primeira pergunta é até boba ou inocente feita pelo Datafolha. É a seguinte: Já mudou seus hábitos por causa da religião? Entre os pentescostais, a taxa é de 54% dos que respondem positivamente. Nas denominações tradicionais, o índice chega a 45%.
Ou seja, são pessoas, que ao encontrarem Jesus largaram o cigarro, a balada, a bebida, drogas, prostituição ou simplesmente deixaram de mentir, agredir a esposa ou enganar o companheiro de trabalho. Alguns podem considerar a performance satisfatória. Na minha modesta opinião, é um atestado de incompetência para o povo evangélico brasileiro. Sim. Quando pregamos a palavra de Deus espalhamos aos quatro ventos que as escrituras modificam e mudam o parâmetro das pessoas. O mínimo que deveríamos apresentar é uma taxa altíssima nesse quesito para que as pessoas pudessem dizer: “Realmente, aquilo altera o rumo da vida de qualquer um. Vida como há pessoas diferentes aqui”. Agora, pense por um instante: se um recém-convertido verifica que de cada 10 crentes, apenas 5 mudaram seus hábitos, que incentivo ele terá para permanecer na luta? Desculpe, aqueles que consideram que a misericórdia de Deus complementa qualquer falha nossa. É verdade. Mas também é notória a nossa ânsia em terceirizar nossas falhas e condutas para Deus. Ou seja, se eu não faço minha parte, o Criador ou o filho dele arranja tempo e conserta o problema. Não é por aí. Previsões bíblicas à parte, temos que tomar postura e encontrar uma maneira sadia e positiva de viver o Cristianismo. Frases como “é assim mesmo, o tempo está próximo”, “Jesus está voltando” revela muito mais um conformismo e uma renúncia de combater os problemas do que realmente estar atento aos avisos do Criador.
Do jeito que está, a própria pesquisa mostra: tem algo errado. Pode piorar? Sim e vai. Mas nosso dever é combater para que isso não prospere. Nem isso fazemos. Lamentável.
TODOS os Pastores condenados. Pelos crentes. É mole?
Como é de se espantar que 61% dos entrevistados concorde na pesquisa com a seguinte frase: “Os evangélicos são enganados por seus pastores”. Desse total, 37% são de pentecostais. Um descalabro! Absurdo! Um acinte total! É a prova concreta que nós, povo de Deus, aceitamos uma das teorias espatafúrdias espalhadas pelo mundo secular. Ou fizemos uma auto critica e chegamos a conclusão que somos massa de manobra do mundo. Não confiamos em quem nos fornece o alimento espiritual todos os domingos. Não é por aí. Infelizmente, me perdoem a expressão, é sinal de que somos um povo que conhece a bíblia décor e salteado. Mas somos desprovidos de massa critica. Não temos argumentos sólidos para combater e rebater uma tese preconceituosa. Emitimos todos os capítulos dos Salmos e temos a capacidade de ignorar as figuras principais do protestantismo e suas táticas para vencer o preconceito e a desconfiança secular para ganhar almas.
Quem me conhece sabe que sou defensor da transparência total nas igrejas. E de que pastores ou qualquer outro membro que cometa um deslize seja submetido as punições previstas em lei. Mas daí a promover um linchamento geral e irrestrito dos líderes vai uma distância enorme. Há muitos pastores que além de ministros de Deus, se constituem em referências até para a sociedade civil.
Como fazer para virar o jogo?
Como reverter a situação? Eu sei, é difícil. Só que fugir da briga é covardia. Isso é uma característica que crente, qualquer crente, deve abominar. Diante disso, em primeiro lugar, é dever riscar alguns conceitos: preconceito racial e de classe social, ignorância, ausência de solidariedade e individualismo exacerbado. Caso contrário, seremos quase igual aos de fora. E não faremos diferença.
Adotar a busca pela informação é boa tática. Não só a bíblica. Quem é bem informado, tem argumentos. É o primeiro passo para encarar as difamações e setas do inimigo.
Além disso, nos últimos tempos passamos a acreditar que a salvação é tão individual, mas tão individual a ponto de ignorar meu irmão que senta ao meu lado. E um recado: oração é ótimo e faz bem, mas um papo ao pé do ouvido, sem querer promover linchamento moral faz muito bem. Aliás, às vezes quem precisa disso é o pastor da sua igreja, que pode estar sendo detonado em público e você pensa: “tenho mais o que fazer”. Então, tanto eu como você devemos sair da cadeira, da zona de conforto e combater isso. Falar, debater e influenciar. Não por você ou por mim. Mas pelo seu semelhante e pela igreja que representa o reino de Deus na terra.
Abraço a todos
boa semana
Elias Aredes Junior
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