terça-feira, 26 de junho de 2007

Tentativa de barganha com Deus

A imprensa noticiou nos últimos dias que os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, o apóstolo Estevam Hernandes e sua esposa, Sonia Hernandes, fizeram um acordo com a Justiça norte-americana.
O problema começou no dia 9 de janeiro, quando os religiosos brasileiros foram detidos por agentes da FBI no aeroporto de Miami. E o motivo da prisão é que o casal tentou entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil não declarados, além de mais R$ 120 mil em dinheiro vivo.
Como notícias que articulam escândalo e religião sempre são de grande interesse, o episódio chamou a atenção da opinião pública. Mas para compreender melhor esse fato é preciso lembrar que ele está inserido em um contexto maior, de caráter teológico, pois a Renascer é uma das instituições religiosas brasileiras que fundamenta seu discurso e sua prática nas propostas da Teologia da Prosperidade.
Os estudiosos da Teologia da Prosperidade apontam seu surgimento nos Estados Unidos, nas décadas de 50 e 60 do século passado. De acordo com o professor Leonildo Silveira Campos, trata-se de um conjunto de crenças "que afirma ser legítimo ao crente buscar resultados, ter fortuna favorável, enriquecer, obter o favorecimento divino para a sua vida material ou simplesmente progredir". Paul Freston, por outro lado, afirma que nessa proposta teológica "o princípio básico da prosperidade é a doação financeira, entendida não como um ato de gratidão ou devolução a Deus (como na teologia tradicional), mas como um investimento. Devemos dar a Deus para que ele nos devolva com lucro".
Nesse sentido, um olhar mais atento sobre as propostas da Teologia da Prosperidade pode levantar algumas preocupações. A primeira é que o discurso de prometer a felicidade terrena encontra um solo fértil em um país em que há um grande nível de exclusão social, o que possibilita a manipulação de mentes e de corações em nome da fé. A segunda é que com isso a religião assume a lógica do consumo e do mercado, para quem a dignidade do ser humano depende daquilo que ele tem, e não daquilo que ele é. Isso leva à idéia de que ter mais dinheiro significa ser mais amado por Deus, o que está na contramão da proposta e da prática de Jesus. Uma terceira preocupação é que na onda da Teologia da Prosperidade a própria religião se transforma em apenas mais um item da cultura do consumo. Um quarto problema é que a Teologia da Prosperidade leva a uma fé individualista e egoísta, em que a felicidade pessoal é absolutizada e o bem da coletividade fica em segundo plano.
A lógica da Teologia da Prosperidade, portanto, fundamenta-se nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus. Como conseqüência, o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Assim, seu discurso apresenta uma proposta de troca, de barganha entre o fiel e Deus. Mas como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do divino.
Diante das preocupações levantadas, fica aos cristãos a tarefa de substituir a Teologia da Prosperidade por uma Teologia da Gratuidade. Vale a pena, então, refletir sobre um fato atribuído à Madre Teresa de Calcutá. Conta-se que um homem a viu cuidando das feridas de um doente e, com a intenção de ser simpático, afirmou que não teria coragem de fazer o mesmo nem que fosse para ganhar um milhão de dólares. Diante disso, a afirmação da Madre Teresa foi a seguinte: "Por um milhão de dólares eu também não faria. Faço por amor".
Sim, só pela gratuidade do amor vale a pena amar a Deus e consumir a vida por Ele. Só por amor faz sentido entregar-se a Deus com generosidade e confiança, sem ficar fazendo contas de ganhos e perdas com mentalidade bancária e financeira. E só por amor é possível abraçar o seguimento a Jesus Cristo de maneira completa, com suas conseqüências e desafios. E entre os desafios está a tarefa de preocupar-se não apenas com a felicidade individual, mas comprometer-se com a transformação da sociedade para que "todos tenham vida, e a tenham em plenitude" (Jo 10,10).

Autor: Lindolfo Alexandre de Souza

domingo, 13 de maio de 2007

Folha de São Paulo revela perfil do crente brasileiro. Bom ou péssimo sinal?

Amigos:

A chegada do Papa Bento 16 ao Brasil nesta quarta-feita detonou intensa cobertura midiática. De todo o material publicado, talvez o de maior relevância seja o da edição dominical da Folha de São Paulo, que divulgou extensa pesquisa que releva em detalhes o perfil do católico praticante e do evangélico brasileiro. Sim, como somos reconhecidos como antagonistas da guerra contra o catolicismo, o jornal quis saber o que pensa esse povo que chega a 18%, segundo censo do IBGE.
Existem dados a serem comemorados. O levantamento mostra: 99% dos crentes brasileiros vão com freqüência à igreja. Um sinal de que não somos um povo virtual presente apenas nas estatísticas de senso e nos cultos de natal e ano novo. Utilizamos o domingo como algo sagrado e entendemos que a igreja é local para presenciarmos a glória de Deus em nossas vidas. Bom sinal.

Na defesa do dizimo

Quando o assunto é dizimo e contribuições a igreja, o sinal de fidelidade é inquestionável: na média, 88% dos crentes entrevistados, sejam tradicionais ou pentecostais, não pensam duas vezes e colaboram com a manutenção do reino. É uma vitória e tanto. Tal índice é obtido debaixo de críticas ferrenhas oriundas da mídia secular em relação ao assunto e até de condutas que geram mais nebulosidade do que transparência nas igrejas. Mesmo assim, a fé supera a falha dos homens. Perfeito.
Outro dado surpreendente da pesquisa do Datafolha é na questão dos relacionamentos. Mais de 82% dos pesquisados sequer pensam na hipótese de se casar com alguém que não seja de uma igreja evangélica. Em tempos de desencontros, solidão e ausência de diálogo entre jovens e pastores das igrejas em relação ao assunto, é revigorante sentir que a esperança supera tais entraves. Às pessoas que antes me consideravam pessimista ou que vejo só um lado da questão faço apenas um questionamento: a explosão de divórcio e separações na igreja é algo normal? Se mesmo com tal furação, ainda cremos que alguém sentado ao nosso lado será o passaporte da nossa felicidade é de se tirar o chapéu.
Bem, mas nem tudo são flores.

Os problemas

A pesquisa mostra, na minha visão, dois dados estarrecedores. Números que revelam o nosso estágio de conflito em relação as ações de Deus e a estrutura deixada por Ele na Terra e cujo nosso dever é cuidar com esmero. A primeira pergunta é até boba ou inocente feita pelo Datafolha. É a seguinte: Já mudou seus hábitos por causa da religião? Entre os pentescostais, a taxa é de 54% dos que respondem positivamente. Nas denominações tradicionais, o índice chega a 45%.
Ou seja, são pessoas, que ao encontrarem Jesus largaram o cigarro, a balada, a bebida, drogas, prostituição ou simplesmente deixaram de mentir, agredir a esposa ou enganar o companheiro de trabalho. Alguns podem considerar a performance satisfatória. Na minha modesta opinião, é um atestado de incompetência para o povo evangélico brasileiro. Sim. Quando pregamos a palavra de Deus espalhamos aos quatro ventos que as escrituras modificam e mudam o parâmetro das pessoas. O mínimo que deveríamos apresentar é uma taxa altíssima nesse quesito para que as pessoas pudessem dizer: “Realmente, aquilo altera o rumo da vida de qualquer um. Vida como há pessoas diferentes aqui”. Agora, pense por um instante: se um recém-convertido verifica que de cada 10 crentes, apenas 5 mudaram seus hábitos, que incentivo ele terá para permanecer na luta? Desculpe, aqueles que consideram que a misericórdia de Deus complementa qualquer falha nossa. É verdade. Mas também é notória a nossa ânsia em terceirizar nossas falhas e condutas para Deus. Ou seja, se eu não faço minha parte, o Criador ou o filho dele arranja tempo e conserta o problema. Não é por aí. Previsões bíblicas à parte, temos que tomar postura e encontrar uma maneira sadia e positiva de viver o Cristianismo. Frases como “é assim mesmo, o tempo está próximo”, “Jesus está voltando” revela muito mais um conformismo e uma renúncia de combater os problemas do que realmente estar atento aos avisos do Criador.
Do jeito que está, a própria pesquisa mostra: tem algo errado. Pode piorar? Sim e vai. Mas nosso dever é combater para que isso não prospere. Nem isso fazemos. Lamentável.

TODOS os Pastores condenados. Pelos crentes. É mole?

Como é de se espantar que 61% dos entrevistados concorde na pesquisa com a seguinte frase: “Os evangélicos são enganados por seus pastores”. Desse total, 37% são de pentecostais. Um descalabro! Absurdo! Um acinte total! É a prova concreta que nós, povo de Deus, aceitamos uma das teorias espatafúrdias espalhadas pelo mundo secular. Ou fizemos uma auto critica e chegamos a conclusão que somos massa de manobra do mundo. Não confiamos em quem nos fornece o alimento espiritual todos os domingos. Não é por aí. Infelizmente, me perdoem a expressão, é sinal de que somos um povo que conhece a bíblia décor e salteado. Mas somos desprovidos de massa critica. Não temos argumentos sólidos para combater e rebater uma tese preconceituosa. Emitimos todos os capítulos dos Salmos e temos a capacidade de ignorar as figuras principais do protestantismo e suas táticas para vencer o preconceito e a desconfiança secular para ganhar almas.
Quem me conhece sabe que sou defensor da transparência total nas igrejas. E de que pastores ou qualquer outro membro que cometa um deslize seja submetido as punições previstas em lei. Mas daí a promover um linchamento geral e irrestrito dos líderes vai uma distância enorme. Há muitos pastores que além de ministros de Deus, se constituem em referências até para a sociedade civil.

Como fazer para virar o jogo?

Como reverter a situação? Eu sei, é difícil. Só que fugir da briga é covardia. Isso é uma característica que crente, qualquer crente, deve abominar. Diante disso, em primeiro lugar, é dever riscar alguns conceitos: preconceito racial e de classe social, ignorância, ausência de solidariedade e individualismo exacerbado. Caso contrário, seremos quase igual aos de fora. E não faremos diferença.
Adotar a busca pela informação é boa tática. Não só a bíblica. Quem é bem informado, tem argumentos. É o primeiro passo para encarar as difamações e setas do inimigo.
Além disso, nos últimos tempos passamos a acreditar que a salvação é tão individual, mas tão individual a ponto de ignorar meu irmão que senta ao meu lado. E um recado: oração é ótimo e faz bem, mas um papo ao pé do ouvido, sem querer promover linchamento moral faz muito bem. Aliás, às vezes quem precisa disso é o pastor da sua igreja, que pode estar sendo detonado em público e você pensa: “tenho mais o que fazer”. Então, tanto eu como você devemos sair da cadeira, da zona de conforto e combater isso. Falar, debater e influenciar. Não por você ou por mim. Mas pelo seu semelhante e pela igreja que representa o reino de Deus na terra.

Abraço a todos

boa semana

Elias Aredes Junior

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Estão entre nós, e agora?

Bom pessoal, em primeiro lugar quero agradecer a todos que têm prestigiado este blog. Sei que muitos passam para visitá-lo e enriquece-o com seus comentários. Tem aqueles que dão as passadinhas rápidas e que não comentam mas mesmo assim obrigado. Tem sido legal é ver os debates nascendo entre os amigos.
Nos últimos dias muitos vieram ao meu encontro para tecer algum tipo de comentário e durante as conversas, sugestões para tratar de assuntos polêmicos surgiram. Tentarei aos poucos atender a cada um de acordo com o meu conhecimento e experiência, seja pessoal, cotidiano ou apenas por um simples ponto de vista.

O texto de hoje é uma sugestão trazida por duas colegas de ministério.O Homossexualismo dentro da igreja.
Bom amados, confesso que me assustei com a sugestão desse tema sentindo-me desafiado por ser um assunto muito difícil e delicado, porém, gosto de desafios e de maneira bem simples quero dialogar com vocês.
É bem evidente que nas duas últimas décadas o número de evangélicos aumentou de maneira assustadora. Cada dia nasce uma nova igreja , e ser "crente" ou "gospel" não é mais motivo de vergonha ou constrangimento, agora significa ter staus e sociabilidade. A música gospel sofreu tremenda transformação. Marchas para Jesus, SOS da Vida, Celebrai in concert deixam a juventude bem a vontade para cantar a Deus. Sentir-se discriminado é coisa do passado. Existe uma igreja para cada estilo ou uma banda para cada tribo. Um vasto cardápio de igrejas de acordo com seu perfil.
Com esse evolução públicos variados se achegam aos templos em busca de uma cura, um milagre ou apenas para ter um tempo de paz interior. Dentre esses públicos estão eles, os homossexuais.
Confesso que presenciei em alguns cultos poucos deles. Lembro-me que em certa ocasião presenciei dois homens que se vestiam de mulher, conhecidos como travestis, assistindo por três ou talvez quatro semanas seguidas os nossos cultos mas depois de um período não os vi mais. É bem comum, e não deveria ser, encontrar um irmão ou outro ainda com trejeitos. Digo não achar normal ser comum encontrar irmãos com trejeito porque penso eu que quando Jesus transforma uma pessoa, ele a transforma num todo. "As coisas velhas se passaram e tudo se fez novo". Opinião pessoal.
Mas agora quero conversar com vocês sobre os casos reais de homossexualismo na igreja. Pessoas que freqüentam os cultos, reuniões, retiros mas que não conseguem se libertar de tal prática. Seria um problema espiritual ou de caráter ?
Independente da denominação, o assunto é sério e por aqui já quero começar a minha sessão de questionamentos. A igreja (instituição) está preparada para receber e tratar os homossexuais que chegam ? Pare e pense um pouco...
... o quanto é complexo o assunto.
Bom, também parei, pensei e compartilharei com vocês. Vejo que são poucas as igrejas preparadas para cuidar dessas pessoas que chegam nessas condições.
Talvez vocês esteja pensando estar faltando um ministério que trate exclusivamente desses casos não é ? Também acho, mas penso que antes disso a igreja precisa preparar seus membros para recebê-las.
Qual seria a sua reação se um, um gay uma lésbica ou travesti se assentasse perto de você num dos cultos ?
Se você respondeu que se sentiria à vontade me perdoe mas tenho que chamá-lo de hipócrita
. Ainda somos tomados pelo preconceito e pela discriminação. Não estou condenando ninguém mas uma coisa é fato, não estamos preparados para esse tipo de batalha. A igreja-instituição precisa preparar a igreja-pessoas para receber os homossexuais. Assim também acontece com os mendigos, garotas de programas, meninos de rua e etc.
A intuição é um hospital para tratar de seus doentes, não podendos simplesmente receitar uma neosaldina e manda-lo de volta para a casa com o mesmo problema. O tratamento nem sempre é rápido e fácil, muitas vezes funciona como uma quimioterapia, dolorida, recuperação demorada e muito carente de muita paciência.
O hospital precisa interná-lo com incessante tratamento.
A igreja também precisa fazer o seu papel. Necessita saber porque essas pessoas com tanto tempo de cristianismo não progridem na vida cristã ?
Depois de diagnosticada, aí sim ajudá-la na cura.
Não é uma tarefa fácil mas somos guerreiros de Deus e temos de estar pronto para qualquer batalha.
Minha oração diante desse desafio é para que Deus retire do nosso coração e mente todo o tipo de preconceito e que ajude-nos a fazer a vontade Dele que é amar o próximo. Que ele abençoe nossos líderes dando sabedoria para cuidar dos homossexuais. E que preparem bem suas ovelhas a receberem as ovelhas feriadas.

Questões para pensar :

Por que mesmo ouvindo a palavra de Deus essas pessoas não mudam ?

Problema físico, espiritual(demônios) ou caráter ?

Há em mim algum tipo de preconceito ?

Como posso ajudar essas pessoas ?

No amor de Cristo

Márcio Rogério (Marron)

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Tentação vs Pecado

Tentação vs Pecado, qual é o limite ?

Como em todos outros dias acordei bem cedo. Eram 6:00 hs da manhã. Tomei banho, "belisquei" uma fruta e me despedi de minhaesposa com um beijo. Peguei o rumo da faculdade.
Assim como muitos brasileiros, sigo ao ponto de ônibus a espera do meu transporte público. "Pontualíssimo", teria que ter passado às 6:35 hs. Mas só apareceu às 6:45 hs .Embarco no veículo em direção ao centro da cidade. Naquele dia, estava bem vazio, com seis assentos livres. Com 15 minutos de viagem pela frente, tomo um dos assentos. A monotonia continua de ponto em ponto. Ao parar no quinto ou sexto ponto, observo que um casal de idosos marcado por rusgas e pela debilidade física tenta embarcar. Percebo que o motorista se estressa com a demora parasubir no veículo devido às condições físicas e idade já avançada. Em segundos, o motorista perde a cabeça e passa a proferir ofensas verbais e todo o tipo de humilhação. Ao deparar-me com tal cena, sinto minha garganta secar, as mãos esquentarem e a revolta tomar conta de mim. Confesso-lhes, minha vontade foi a de segurar no pescoço daquele motorista e dar-lhe uns bons petelecos. O cara me deixou irritado. Desejo de agredi-lo fisicamente? Talvez. Afinal,quem não sentiria esse desejo?Essa é uma das situações que presenciamos todos os dias. Quantas vezes a ira nos fisgam diante de tais cenas e desperta em nós uma tentação de tomar alguma providência? O assunto que eu gostaria de discutir com vocês hoje é o PECADO vs TENTAÇÃO. Qual o limite?Gostaria de pedir a vocês uma compreensão quanto ao excesso de pontos deinterrogação. Por se tratar de um tema complexo, as perguntas registradas neste texto nasceram em conversas informais, assim não tenho respostaspara elas. Que tal resolvermos juntos?É bom lembrar que pecamos pelo que falamos, agimos ou pensamos. A questão em jogo é: O que aconteceu nessa fração de segundo em que tive vontade de agrediraquele motorista? Pequei em pensamento ou fui tentado?
Qual é a divisão das fronteiras?
Ás vezes misturamos sensações e perdemos o norte das nossasemoções.
Achei boa uma definição da palavra tentação feita pelo Rev. Caio Fábio. "Tentação é tudo o que não devemos, ou achamos que nãodeveríamos, ou aquilo que achamos que não deveríamos porque os outros achamque não deveríamos desejar e, também, é aquilo que Deus disse que não énosso. Isso na perspectiva psicológica de nossas mentes confusas, caídas e,portanto, misturadas no meio de tudo isso. A tentação é o que não é nosso".Particularmente vejo a tentação como uma avenida que apresenta umabifurcação ao seu fim. Você pode escolher não seguir o que a tentação lhe pressiona a fazer. Como também, pode seguir por outro caminho com seusimpulsos e ímpetos e concretizar enfim o pecado.
Observe essas duas reações: Você já pensou que nas muitas vezes quando somos tentados, no ápice da tentação, sentimos estar pecando?
Já pensou também quedepois de resisti-la sentimos um refrigério, como que de pecados perdoados?
A tentação é um atrativo para a implantação do pecado, mas não é o próprio pecado.O pecado é um ato, pois *"cada um é tentado, quando atraído e engodado peloseu próprio desejo.
Depois, havendo concebido o desejo, dá à luz o pecado; eo pecado, sendo consumado, gera a morte."* (Tiago 1:14 e 15).
Gostaria de deixar três questões para refletirmos :
1 - Se a tentação não é pecado, por que não nos sentimos a vontade diante de tal situação?
2 - Será que em alguns casos temos cometido pecados pensando ser tentação e vice-versa?
3 - A tentação tem ligação direta com o pecado?
No amor de Cristo

Márcio Rogério (Marron)

domingo, 22 de abril de 2007

Afinal falou ou não falou?

Nos dias de hoje é muito comum ouvir frases do tipo; “Estou esperando em Deus”, “Deus falou comigo que é”, “Deus falou não é”.
Confesso sentir-me um pouco incomodado com frases desse gênero. Quero “gastar” um pouco de tempo nesse assunto começando com um exemplo muito comum:
Um determinado casal se conhece na igreja e começa rolar aquela paquerinha. Depois de observar que o casal tem andado muito junto perguntamos se estão namorando, eles por sua vez afirmam que não, “Estamos orando”.
Que coisa linda hein! Fazendo a lição de casa certinha. Se estão orando é porque esperam uma resposta de Deus, certo? O tempo passa e vemos aquele lindo casal de mãos dadas, com os olhos enamorados de um brilho incomparável. Enfim, o namoro se concretiza. Passa-se um, dois, três anos, e infelizmente o relacionamento se rompe tomando cada um o seu rumo. Quantas vezes você já presenciou essa situação? Perguntinha básica que fica na cabeça; O que aconteceu? Deus não havia falado? Então o que houve? Será que Ele voltou atrás?
Amados, não me levem a mal, mas está bem claro de que precisamos aprender muito sobre ouvir a voz de Deus. Muitas vezes na pressa de resolver determinado assunto tomamos decisões precipitadas envolvendo o nome de Deus na história. Oras, se não sabemos ouvir a voz Dele, ou se Ele não falou, por que simplesmente não assumimos tomar tal decisão por nossa conta e risco ? Não estou dizendo aqui que Deus não fala, estou questionando atitudes irresponsáveis em que envolvemos o nome de Deus em decisões que são absolutamente nossas. Ás vezes penso em tal atitudes como de pessoas que querem passar o ar de estar conectados cem por cento em Deus e acabam fazendo tremenda bobagem. Bobagem essa que muitas vezes deixam feridas e seqüelas quase que irreparáveis. Quantas vezes pagamos caro por tomar uma decisão errada? O pior é quando ainda envolvemos sentimento e a vida de terceiros.Assumir a posição de tomar uma decisão sozinho não é vergonha desde que seja ela pertinente. Pois bem, se preciso ir ao shopping comprar um calça não sei há necessidades de perguntar a Deus em qual loja eu deva comprar. Basta pesquisar os preços, modelo desejado e comprar.Ouvir a voz de Deus envolve intimidade, busca incessante e tudo aquilo que nós cristãos já sabemos e estamos calejados de ouvir nos sermões e ensinamentos. Não podemos nos esquecer que existem situações em que Deus simplesmente não quer dizer nada.
Não adianta espernear, chorar ou se revoltar, Ele não vai dizer nada. Deus nos deu a liberdade de escolha e não vejo como pecado tomar decisões nos momentos em que Ele não nos fala nada, desde que assumamos as conseqüências, podendo ser elas boas ou ruins. Que tal pensarmos em algumas possibilidades e ver a mais pertinente à nossa situação?

· Esperar Deus falar (essa imagino a situação ter uma real necessidade da intervenção divina, de que só com a decisão Dele se deva seguir em frente a tomar tal decisão);
· não esperar Deus falar (por conta e risco, assumindo as conseqüências);
· Tomar a decisão e pedir para que Deus a abençoe.

Sugiro pensar antes de agir, dizer só o que for real e não temer assumir decisões próprias, sem escoras religiosas ou espirituais inexistentes.

Por Márcio Rogério (Marron)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Peso do Perdão

Nos encontramos presos em paradigmas complexos quando o assunto é o perdão. Carregamos dentro de nós, fatos e situações que nos impedem de esquecer ou perdoar. A atitude do não perdoar não conduz a uma libertação do nosso ego, de livrarmos de nós mesmos. É a prova viva de que ainda não recebemos um novo nascimento. O fato é que, nos esquecemos de que o perdão faz bem não somente a quem recebe mas principalmente a quem o cede. Muitas vezes, não perdoamos porque imaginamos castigar ou penalizar o nosso suposto infrator, quando no fundo nossa atitude rega a chamada RAÍZ DE AMARGURA. Essa sim não perdoa. A raíz que não perdoa, nos consome aos poucos. Dia após dia. Como um câncer, que toma conta da alma até consumi-la por completo.
A sensação de superioridade e de que nunca pecamos nos seguem em quase todos os momentos. "Não há um homem se quer que não tenha pecado"
Não é a toa que vemos famílias desajustadas, pais, mães e filhos crescidos dentro da igreja dividirem o mesmo teto sem mesmo pronunciarem um bom dia ao outro. Pessoas amarguradas, depressivas, arrogantes, egocêntricas e sem amor, características da falta do perdão. Digo "do" e não "de".
O sentimento de juízes ou juízas tomou posse do nosso povo e quando digo "nosso povo" me refiro aos nossos irmãos em Cristo, a igreja. Igreja essa muitas vezes contraditória; permissiva em alguns aspectos e sentenciadora em outros. Espiritualizamos tudo em um momento mas num piscar de olhos...Olho por olho, dente por dente! A igreja (nós) tem usado somente aquilo que lhe é de proveito próprio. Não podemos nos esquecer que aquele que diz "Não o perdôo" faz papel de juíz e de sentenciador. Ou será que é de ACUSADOR ? Acusador ? Palavra forte que todos nós cristãos sabemos a quem o próprio Cristo o chamou de. É amados, não se assustem mas muitas vezes assumimos o papel dele, do diabo.Poupamos o próprio de fazer o seu trabalho assumindo o seu lugar, e o pior, temos ciência disso.
Perdemos a oportunidade de envergonhá-lo, de colocar em prática não somente o amor mas de exercermos a fraternidade. Isso mesmo, fraternidade, palavra defasada, ultrapassada e extinta por nós. Sugiro hoje respirarmos fundo, olharmos no espelho e pensarmos em algumas questões:
O que ganho eu carregando dentro de mim algo que não me soma e ainda me corrói ?
Quem sou e que papel tenho eu no corpo de Cristo ? O que é Fraternidade?
É maior o pecado que o amor ?
Por que não perdoar ?


Esquecendo das coisas que para trás ficam.
Deus abençoe a todos.


por Márcio Rogério (Marron)


*Todos os textos estão abertos para comentários, contextações e opiniões. O texto fala de um único ponto de vista que é o de quem o escreveu, não o fazendo dono da verdade.